E se a Lua desaparecesse?
Tire a Lua num instante: o que acontece com as marés, as noites, a inclinação da Terra e a duração do dia
Uma hipótese: a física permite no papel, mas ninguém nunca viu. Tudo segue a teoria como ela é hoje.
Passo a passo
A Lua hoje
Ela se afasta por causa das marés que provoca. A Terra gira mais rápido do que a Lua dá a volta nela, então a Terra leva suas protuberâncias de maré um pouco à frente da Lua. A atração delas acelera a Lua e a empurra para fora, enquanto a atração da Lua sobre elas freia aos poucos a rotação da Terra.
Como ela poderia sumir?
Então isto é um experimento mental, como perguntar o que acontece com uma ponte quando se tira um pilar. A Lua é removida num instante sem deixar nada, e todo o resto segue as leis da física como elas são. O que muda mostra quanto da vida diária da Terra a Lua molda em silêncio.
O instante
Onde a Lua estava, haveria estrelas. Toda noite seria como uma noite sem Lua hoje, e de dia não haveria uma Lua pálida no azul. Nada cai do céu: a Lua simplesmente não está mais lá, e é exatamente isso que torna isto impossível na realidade.
As marés encolhem
A maré alta viria duas vezes por dia nos mesmos horários, e não cerca de 50 minutos mais tarde a cada dia. Costas reais reforçam ou enfraquecem as marés pelo formato de suas baías, então cada uma mudaria do seu jeito, mas em todo lugar as marés seriam bem menores, e as praias, os mangues e as poças que elas descobrem encolheriam.
Noites mais escuras
Na Grande Barreira de Corais, muitas espécies de coral liberam óvulos e espermatozoides juntas em poucas noites depois de uma lua cheia no fim da primavera, uma desova em massa descrita pela primeira vez em 1984. O ciclo mensal de luz da Lua é parte de como elas marcam o tempo; sem ele, a sincronia que permite que óvulos e espermatozoides se encontrem poderia se perder.
Alguns animais se orientam por ela. Besouros rola-bosta na África do Sul rolam suas bolas em linha reta guiados pelo padrão da luz lunar polarizada (Dacke e outros, 2003). Muitos caçadores noturnos e suas presas mudam seus hábitos com a fase da Lua; todos teriam que se adaptar.
A inclinação da Terra
Laskar, Joutel e Robutel calcularam em 1993 que a inclinação de uma Terra sem Lua vagaria caoticamente entre 0° e cerca de 85° ao longo de milhões de anos. Com uma inclinação grande, boa parte do planeta oscilaria entre verões escaldantes e invernos longos, escuros e gelados.
Cálculos posteriores e mais longos de Lissauer, Barnes e Chambers (2011) acharam oscilações mais lentas e menores: em geral, dentro de 10° a 20° da inclinação atual ao longo de centenas de milhões de anos. De qualquer forma nada mudaria numa vida humana: a inclinação variaria ao longo de milhões de anos.
O dia para de desacelerar
Então o dia ficaria perto de 24 horas por muito mais tempo. Com a Lua, as marés continuariam a esticá-lo por bilhões de anos.
O que continua igual
O que some para sempre: os eclipses solares, quando a Lua esconde o Sol, e os eclipses lunares, quando a sombra da Terra cai sobre a Lua. O mês, que surgiu como o tempo de uma lua nova à seguinte, seria só um costume.
A Terra sozinha
Vista do espaço: a Terra sozinha, a órbita da Lua vazia. Mercúrio e Vênus já vivem assim: nenhum dos dois tem lua.
Nossa Lua é incomumente grande para o seu planeta. A melhor explicação para sua origem é uma colisão há 4,5 bilhões de anos entre a Terra jovem e um corpo do tamanho de Marte, cujos destroços se juntaram na Lua. Marte tem duas luas minúsculas, provavelmente capturadas ou formadas em impactos menores; Mercúrio e Vênus não têm nenhuma.
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